O desespero de alguns psicólogos/as nas redes sociais e seu impacto.

O código de ética da profissão de psicólogo/a proíbe a propaganda vinculada com qualquer tipo de atrativo. O problema é o quanto alguns psicólogos/as estão escancarando todo o seu desespero nas redes sociais para tentar atrair e conseguir algum paciente.

Não devemos sair por aí mandando todo mundo procurar um psicólogo por qualquer coisa que comentam ou reclamam nas redes sociais. Nem oferecendo a consulta de um psicólogo para qualquer pessoa que aparece pela frente e quem nem pediu isso, como uma ”receita” para todas as situações e momentos.

Nem todos os problemas e situações pedem um psicólogo. Sim, amigo não é psicólogo, mas em alguns momentos, uma pessoa precisa de um amigo, empatia, solidariedade, acolhimento e não há problema nisso. Assim como psicólogos também podem precisar de ajuda, seja de alguém próximo e confiável ou profissional.

Já vi pessoas falando que tinha pena dos psicólogos de alguns grupos e perfis no Facebook porque os achou muito desesperados em atrair pacientes, e sugeriu que esses psicólogos deveriam procurar ajuda, e neste caso, preferencialmente profissional! Essas pessoas estão certas.

Se esses profissionais revelassem e assumissem que este comportamento é em grande parte, porque estão desempregados e/ou precisando de mais dinheiro, por vários motivos e necessidades pessoais ou profissionais, seria muito mais honesto, ético e saudável.

Seria melhor também, se a classe fosse mais unida e procurasse se unir para lutar por melhores condições de trabalho, maiores salários e piso salarial nos setores tanto público quanto privado, entre outras pautas. Em vez de se limitarem a grupos e perfis de redes sociais para recrutar pacientes.

Entretanto, a maioria aparenta, (ou quer aparentar) que estão bem financeiramente e que em alguns casos, se apresentam como profissionais quase altruístas como se quisessem apenas ”informar e promover saúde e bem estar social” através de seus perfis pessoais.

Só aparenta, pois a forma agressiva, repetitiva e pedante utilizada por alguns profissionais em seus perfis pessoais das redes sociais, as vezes até mesmo apelando para frases clichês de auto-ajuda que mais parecem de coach que de psicólogo, demonstram o contrário.

Não podemos deixar que os nossos desesperos por trabalho e/ou dinheiro transpareçam para os nossos possíveis clientes/pacientes, isso é muito importante para a nossa reputação – por melhor profissional que sejamos e por pior financeiramente que estejamos.

Eu não gostaria de passar por um profissional que me atenda, e que nas entrelinhas me veja exclusivamente como uma fonte de lucro após recrutada de forma agressiva e autoritária nas redes sociais ou em qualquer ambiente. Há outras formas de se criar uma boa reputação.

Da forma como a coisa está sendo feita, queima muito a nossa categoria de classe. Por isso, nós precisamos reconhecer os nossos limites, pois psicólogos também são seres humanos, e não tentarmos abraçar o mundo todo de qualquer maneira e a qualquer custo.

Advertisements

A situação crítica do psicólogo clínico no Brasil

Acredito que a atuação da Psicologia Clínica no Brasil está precisando de muitos questionamentos e de auxílio, sua situação está precária há tanto tempo, que se esqueceu que nada está bom. A Psicologia Clínica está conformada e quieta se acomodando. Entretanto, acho que estamos com muitas dificuldades de entender a Psicologia Clínica no Brasil como uma profissão, de fato. De acordo com o dicionário, profissão seria também uma atividade especializada na qual se tiram meios de subsistência, o sustento próprio. O psicólogo clínico exerce a profissão através das convicções nas técnicas e teorias que regem sua ocupação que é bastante especializada. Então, o exercício da Psicologia Clínica no Brasil é uma profissão. Mas, tirar sua própria subsistência através do exercício da clínica é uma tarefa cada vez mais difícil para o psicólogo brasileiro. São poucos os que estão conseguindo esse feito.

Nessas condições, a Psicologia Clínica brasileira tem se assemelhado a um hobby. Não significa que o psicólogo exerce a clínica com pouca seriedade ou dedicação. Existem hobbies que exigem muito, além de profunda paixão pela atividade. Nesse sentido que falo da clínica em Psicologia. Uma ocupação mantida em grande parte pela paixão, mas que não retribui com o sustento suficiente, àquele que a exerce.A falta de interesse e de informação, por parte da sociedade, é um dos problemas que o psicólogo clínico encontra, pelo serviço que ele deseja prestar. O psicólogo estuda com a convicção de que está se preparando para dar às pessoas algo que elas nessecitam, só para mais tarde descobrir que nem sempre aquilo que as pessoas necessitam (ou que nós pensamos que estão necessitando) é aquilo que elas realmente querem.

A atuação da clínica em Psicologia também exige do paciente, um esforço que as pessoas em geral não estão muito dispostas a fazer – e muito menos a pagar por ele. Esta atuação exige o confronto com problemas dos quais muitas vezes passamos a vida inteira ignorando, acreditando que assim, irão acabar, e dos quais pagaríamos com todo gosto para não ter que enfrenta-los. Dessa forma, o psicólogo descobre que enquanto há pouca demanda e interesse da sociedade pelo serviço que ele está oferecendo, os consultórios dos psiquiatras vivem lotados de gente que a eles retornam constantemente. Não se trata de culpar a medicina, que está fazendo o que lhe cabe, e os medicamentos possuem muita importância para a saúde e a vida da população.

Se o uso dos medicamentos é exagerado, talvez seja porque fornecem às pessoas o que elas querem de forma imediata e não o que estão precisando, ou seja, uma forma de aliviar o problema sem enfrenta-lo para resvolve-lo e também as pessoas são acostumadas a tratar os problemas dessa forma. Esta é uma questão cultural, cuja responsabilidade não pode ser imitada numa única profissão, no sistema de saúde ou nos governantes. A cultura é sempre um produto da coletividade. A questão mais grave da falta de interesse da sociedade é a própria internalização pelo psicólogo clínico nesta falta de interesse. O psicólogo passa a acreditar que é o principal interessado naquilo que faz, e aprende a ver com naturalidade o fato de viver em uma sociedade que não se importa com o que ele tem a oferecer. Há muitas conseqüências negativas disso para o exercício da clínica e para o estabelecimento efetivo da Psicologia Clínica como profissão.

O psicólogo precisa enfrentar a falta de interesse de seus pacientes no exercício de sua profissão e por isso se sente pressionado por si próprio a fazer concessões para manter este interesse. Então, o psicólogo passa a perceber a falta de interesse do paciente como um problema apenas seu, e que, portanto, deve ser resolvido exclusisamente pela “melhora” cada vez maior de seus serviços prestados. Incluindo entre essas melhoras de serviço, se inclui entre tantas concessões, a flexibilização de horários, a diminuição dos honorários, ligações pagas do próprio bolso do psicólogo para o paciente que falta para perguntar suas razões de faltar e tentar garantir sua presença na próxima sessão, e o que é mais perigoso: Intervenções clínicas cujo maior propósito é manter o paciente ao mesmo tempo satisfeito e interessado no serviço.

A possibilidade de perder os pacientes causam uma angustia, que faz o psicólogo as vezes esquecer de que o interesse principal na melhora é, deve ser (ou deveria ser) do paciente, não dele, o psicólogo. Se o paciente não contribui trazendo suas questões, problematizando, elaborando e evoluindo o que lhe é retornado, se começa a faltar ou a atrasar, então o psicólogo começa a realizar a função de entreter do que o exercício profissional que lhe é próprio. O psicólogo pode passar a fazer e a dizer o que o paciente quer que ele faça e diga, em vez do que considera necessário a ser feito e dito no coerente exercício profissional. Quando se refere a atuação da Psicologia Clínica como profissão, o psicólogo passa a internalizar como natural, o fato de que ele deve ser o único interessado em prestar seus serviços. Não há empregos disponíveis com carteira assinada para psicólogos clínicos nos setores terceirizados para a profissão que exigiu dele tanto tempo, dinheiro e dedicação para se especializar. Então profissão de psicólogo clínico acaba se tornando autônoma na prática.

Por conta da falta de oportunidades de empregos para psicólogos clínicos no terceiro setor, o profissional que decide por essa área tem, como o próprio CFP reconhece, as alternativas de tentar consultório particular ou tentar um espaço nas clínicas de Psicologia ou policlínicas, as mais frequentes. Mas se este psicólogo não tiver uma fonte segura e constante de encaminhamentos de pacientes, a manutenção de um consultório particular se tornará praticamente impossível com o tempo. Podendo na pior das hipóteses, trazer prejuízos financeiros.

A próxima alternativa são as clínicas de psicologia, psiquiatria, psicanálise e policlínicas. Em alguns casos, o psicólogo aluga seu espaço de trabalho e espera, através das clínicas, receber pacientes conveniados, em sua grande parte. O espaço alugado pode ser abatido no salário ou nos honorários, ou então, podem ser pagos diretamente em alguns casos. Então, a clínica oferece o espaço alugado e o abatimento do plano de saúde. Este encaminhamento de pacientes para o psicólogo que é feito pela clínica, é considerado como praticamente, uma cortesia da clínica, que caso pague um salário fixo, recebe uma porcentagem no abatimento dos planos de saúde e que paga o espaço cedido. Ao psicólogo, não se dá nnehuma garantia de que um dia, conseguirá retirar de seu árduo trabalho, pelo menos o necessário para continuar pagando o aluguel, dependendo do perfil e custos da clínica.

Esta situação se torna muito injusta e perversa porque, o psicólogo, neste caso, está alugando um espaço para trabalhar por conta da perspectiva de fazer sua cartela de pacientes contando com os encaminhamentos da clínica, pelo menos de início, até que possa já levar seus pacientes particulares. Mesmo assim há o abatimento pelo espaço da clínica ao receber o seu salário. Apesar que o grande atrativo das clínicas é o seu próprio encaminhamento de pacientes. E é por isso que o psicólogo aluga este espaço, pela possibilidade de receber novos pacientes pela clínica.

As clínicas não costumam se responsabilizar se o número dos pacientes encaminhados seja pequeno e insuficiente até para que o psicólogo honre o aluguel do espaço. As clínicas costumam ser praticamente indiferentes se o psicólogo está atendendo muito ou pouco se o alguel estiver garantido. As clínicas muitas vezes não procurar se interessar pelo trabalho do psicólogo e contribuir para vê-lo trabalhar mais e prosperar. Para cobrir o abatimento no aluguel de alguns espaços, o psicólogo precisa atender uma grande quantidade de pessoas, contando que esses pacientes não faltem a nenhuma sessão, muitas vezes somente para pagar o aluguel do espaço cedido. O resultado é que, muitas vezes, conta não fecha, e o psicólogo clínico , na prática, passa a pagar para trabalhar. Isso torna esta situação, as vezes, pior do que a de um estagiário remunerado.

Quem está realizando um estágio remunerado, recebe um salário, mesmo que pequeno, então, o saldo é razoavelmente positivo. A situação do psicólogo clínico que acaba pagando para trabalhar, pode ser comparada facilmente a de um escravo em saldo negativo, porque além de não receber para trabalhar, ainda tem de pagar por isso, dentro desses esquemas das clínicas. Pois, o psicólogo paga um valor fixo à clínica todo mês seja diretamente ou em abatimento, e não tem nenhuma garantia de receber nem o necessário para quitar esse valor fixado.

De acordo com os proprietários das clínicas, a pessoa jurídica, esse é um negócio vantajoso para o psicólogo, de médio a longo prazo. Isso seria realmente ótimo na teroria, mas fica o qiestionamento de como o psicólogo vai se manter e pagar o aluguel da clínica até que esse “médio/longo prazo” se realize, se na prática, o que mais se vê é que o psicólogo ganha com seu trabalho, menos do que paga à clínica para trabalhar. Não são muitos os psicólogos com recursos suficientes para manter o “luxo” de alugar um espaço a longo prazo. E novamente, vemos que de tanto ouvir este discurso, o psicólogo clínico acaba internalizando-o, e o mais grave é que passa a repeti-lo e reproduzi-lo, de que em longo prazo, essa situação, um dia, será vantajosa, acreditando que tudo isso é muito natural, normal e com muitos benefícios para si mesmo e como profissional.

Então, diante dos esquemas injustos e perversos desse mercado, o psicólogo se encontra abandonado, seja por não ser fiel à sua própria causa, internalizando e reproduzindo o discurso de seus exploradores e também representado por um conselho que o deixa à deriva. Pois o conselho não se esforça muito em criar normas e leis que evitem a exploração do psicólogo. O CFP fiscaliza, orienta desejando boa sorte e mandando o profissional ”tomar cuidado”, mas não cuida deste profissional. Como tantos psicólogos ainda conseguem se manter neste perfil de atuação Clínica? Como esta situação é possível para alguns profissionais? Muitos encaram a Psicologia Clínica como uma paixão em seu exercício, não como uma profissão que lhe gere um sustento efetivo. O psicólogo não costuma ser fiel a si mesmo e não tem uma consciência de classe profissional unida, que dizer, o psicólogo clínico passa a acreditar que o seu trabalho interessa apenas a ele mesmo, e a mais ninguém. Com sito, se tornando um exercício profissional solitário e individualista.

É fato que as mulheres ainda são maioria no exercício da profissão de psicólogo. Para as mulheres, ainda são atribuídas características de que são mais acolhedoras, receptivas, cuidadoras e de estabelecerem relações intimistas com mais facilidade de imediato, assim como consideradas mais empáticas e compreensivas. Essas qualidades se encaixam perfeitamente no perfil de um psicólogo ideal, e que engrandecem a profissão. Essa questão de gênero e suas características a que são atribuídas também tem seu lado problemático a respeito das cobranças de uma sociedade conservadora e sexista no Brasil, sobre as mulheres. Mulheres casadas geralmente tem maridos que ganhem mais que elas. E isso não é diferente no caso das mulheres que são psicólogas. Assim, as psicólogas, sendo mulheres, também carregam o peso de que a cobrança maior pelo sustenta da casa deve ser majoritariamente do homem.

No caso da mulher solteira, também há uma pressão maior para atrair um homem que ganhe mais que ela, para assim, ela se casar com ele e que também ele assuma a se não for a total, mas pelo menos a maior parte da responsabilidade de adquirir e sustentar o imóvel que irão morar. Não é incentivado para a mulher solteira, que ela antes de pensar em se casar, que buscar uma independência finacneira o suficeinte para sair da casa dos pais e adquirir um imóvel e também o seu sustento por conta própria. Na mentalidade conservadora do brasileiro médio, o ordenado da esposa que trabalha, (a psicóloga no caso), geralmente fica todo com ela, ou então entra apenas como um complemento da renda do marido. As clínicas, com seus muitos proprietários seguindo essa mentalidade e pensamento cultural e coletivo do brasileiro, costumam atrair em grande parte, aquelas psicólogas casadas que não têm a preocupação direta com o ganho. São mulheres que seguem o pensamento de que, o que elas ganham é delas, sob poucas concessões, enquanto o que o marido ganha, é da casa.

São casos de psicólogas que buscam prioritariamente um ideal de satisfação produtiva. São pessoas em busca de sua auto-estima e de uma resposta para a sociedade que lhe pergunta: “O que você faz da vida?” Então, a essa pergunta elas podem responder: “Sou psicóloga. Eu trabalho, eu produzo e amo o que faço.” Já os profissionais masculinos solteiros encontrados nessas clínicas, são em grande parte, aqueles que ainda moram com os pais e que não tem muita pressa para sair da casa dos pais.

Os psicólogos, tanto mulheres quanto homens, que tentam extrair seu sustento pessoal, ou grande parte desse sustento, a partir do exercício desta profissão, a Psicologia Clínica, vista como uma atuação movida apenas, ou acima de tudo pela paixão, acaba sendo uma imposição. Já, para essas psicólogas que só visam um complemento para gastos exclusivamente pessoais e parciais ou uma atuação apenas pelo amor de atuar na clínica, isso é quase indiferente. Se essas pessoas puderem ganhar dinheiro com a Psicologia, ótimo! Se não puderem, está tudo bem. No caso das psicólogo/as que buscam apenas uma realização de produtividade ou se der, um complemento pessoal, alternativa a renda do marido, elas não vão deixar de casar, de ter filhos e de terem a vida “delas” por isso. Essas psicólogas trabalham pela sua auto-estima e realização pessoal. O trabalho delas não tem tanta importância e significativa para o provimento do casal e não tem tanta importância para a clínica em que trabalham.

Neste caso, a clínica ganha muito mais com o aluguel que esses profissionais pagam do que com o pouco que é retirado dos repasses efetuados pelos planos de saúde referentes aos atendimentos realizados. E caso um psicólogo/a, em busca de seu sustento total preferencialmente, diga ‘não’ a uma dessas clínicas, elas podem contar com o ‘sim’ de toneladas de psicólogas casadas, ou solteiras satisfeitas em continuarem morando com os pais enquanto não se casam, e que estão ávidas por um paliativo para sua baixa auto-estima e sem se preocuparem ou se importarem em assumir o provimento de uma casa, ou mesmo da própria vida, pois tem quem assuma por elas, na cultura conservadora.

Se houvesse um número significativo e uma união de psicólogos clínicos que constituíssem uma classe de profissionais que pretendem trabalhar também pelo sustento próprio de uma forma digna, e para serem provedores de uma casa ou também de uma família, o diálogo com essas clínicas e com qualquer um que explore o trabalho do psicólogo, provavelmente seria posto em outros termos. Essa exploração não aconteceria com tamanha facilidade e permissividade, até mesmo com a omissão do CFP a respeito dessa situação. Não é possível mudar com tanta facilidade, o pensamento conservador da maior parte da sociedade brasileira. Mas, é sim possível mudar a nossa atitude profissional. O psicólogo deveria parar de fazer tantas concessões abusivas aos seus pacientes, e que essas concessões cabem escapando de sua atuação profissional devida e mais ética, apenas para manter esses pacientes na clientela. O psicólogo também deve se conscientizar que o principal interessado no tratamento e na melhora deve ser o próprio paciente. Uma postura mais firme no trato com o paciente não significa necessariamente uma postura menos acolhedora, empática ou receptiva.

A disciplina é fundamental no exercício de qualquer atividade profissional, e o psicólogo deve ser disciplinado e exigir do paciente que ele também corresponda essa disciplina. Provavelmente, essas mudanças de posturas certamente podem afastar dos consultórios, alguns pacientes mais relapsos e menos interessados, mas por outro lado, ajudará a manter como incentivo àqueles pacientes que querem se dedicar a um trabalho sério, significativo, produtivo e eficiente. Entre as mudanças de postura, o que considero a mais difícil e complicada, o psicólogo deve exercitar o aprendizado em dizer não à exploração do seu trabalho. Deve-se aceitar trabalhar em clínicas se avaliar que o seu saldo seja positivo a cada mês. Deve-se procurar fazer acordos em que a clínica ganhe proporcionalmente ao seu próprio ganho e à sua produtividade. Se o psicólogo produzir muito e ganhar muito, a clínica também ganhará proporcionalmente. Se não produzir nada e não ganhar nada, a clínica nada ganhará. O psicólogo deve se conscientizar que a cada concessão abusiva sua a um paciente, e principalmente a cada sim dado àqueles que lhe exploram, toda a classe sai perdendo, não apenas ele como autônomo.

Por mais duro que seja de admitir, quem faz concessões excessivas não dá o valor devido ao seu próprio trabalho, e quem não valoriza seu próprio trabalho, não pode cobrar a valorização dos outros. O psicólogo clínico está habituado a trabalhar sozinho em seu consultório. Por isso, ele acaba se tornando individualista. Acredita que o único interessado em seu trabalho é ele mesmo, e não percebe que o interesse pelo trabalho de seu colega também pode despertar o interesse dele pelo seu, e que uma classe de profissionais unidos e interessados no trabalho uns dos outros aprende a ter mais auto-estima, produz mais e desperta, naturalmente, o interesse das pessoas em geral. O psicólogo perde a consciência do valor daquilo que faz, e por isso se torna submisso e omisso.

A Psicologia Clínica no Brasil precisa ser um meio de vida e não apenas um modo de vida. Se quisermos mudar essa situação de forma favorável para os profissionais, devemos nos unir e lutar muito por isso. E o psicólogo clínico brasileiro tem sistematicamente se prendido às migalhas, com medo de perder o pouco que tem. Nesses tantos anos de profissão, houve poucos progressos, apesar das campanhas do CFP dizerem o contrário. Se continuarmos presos às migalhas, jamais partilharemos a mesma posição e reconhecimento das profissões de saúde mais valorizadas pela sociedade. Sendo que a sociedade como um todo, se beneficiará muito com estas mudanças possíveis e necessárias, ao reconhecer e se dedicar a promoção de seu bem estar e sua saúde, entre outras áreas da saúde, através também da psicologia.

*O texto é baseado em experiência profissional pessoal e alguns casos conhecidos, em clínicas. Peço desculpas por qualquer generalização negativa que tenha havido sobre qualquer categoria.

O ‘BULLYING’ AINDA É SUB-ESTIMADO NO BRASIL.

O ‘bullying’, um problema muito sério que veio à tona mais uma vez por conta deste último atentado em Goiânia/GO, é um tema ainda tão subestimado pela opinião pública que não tem uma denominação em português no Brasil.

A maioria dessas práticas de bullying envolve casos em que o agressor é provavelmente dotado de algum privilegio, enquanto a vítima, alguém que costuma ser de personalidade, estilo, gostos, interesses, situação e comportamento diferentes dos padrões mais dominantes.

Geralmente o agressor varia entre um sujeito com problemas sociais crônicos, como o transtorno de personalidade anti-social, ou então o tipo de agressor que costuma ser mais relativizado pela sociedade, que é ”o/a cara/garota legal” que adora ‘zoar’ com quem é visto e considerado como diferente.

No primeiro caso, geralmente é algum garoto dotado de impulsos violentos que agride outro mais frágil e sensível. No segundo caso, é quase sempre um/a rapagão/garota querido/a e admirado/a por muita gente, que se deixa valer de seu carisma sobre as pessoas para humilhar os outros em um triste espetáculo de atrocidades morais contra alguém fora de algum tipo de padrão super valorizado.

A realidade é muito dura para a maioria das pessoas e os/as “caras/garotas legais” que humilham os/as ditos/as losers são os que mais conseguem se dar bem na vida social, e isso ilude muito professores e pais de família.

Afinal, esses “queridinhos” são dotados de carisma e o poder deles é reforçado quando boas pessoas, não necessariamente agressoras, ficam do lado deste tipo de agressor superpopular em suas práticas de bullying.

Tudo isso contribuiu durante muito tempo para enganar e ainda engana muita gente que continua acreditando que o bullying era apenas uma “brincadeira saudável” entre crianças e adolescentes. A ação covarde dos “valentões” e ”queridinhos” contando com a conivência do ‘cidadão de bem’, é também o embrião para o assédio moral, abusos de poder, corrupção e assassinatos de reputação.

Hoje tem ainda a sua versão na Internet, o cyberbullying, com campanhas ofensivas nas mídias sociais ou até mesmo blogues criados especialmente para fazer calúnias e difamações. Mas isso já é bastante comentado e conhecido.

Um dado interessante é que, há também a frequente mania de dissimulação e até mesmo a Projeção, problema psicológico comum entre os brasileiros. Na Projeção, o algoz atribui à vítima os defeitos próprios que são dele. Neste sentido, muitos adultos que haviam, na infância e adolescência, humilhado os outros através do bullying, hoje em algum momento se dizem vítimas dessa prática.

Alguns praticantes de cyberbullying  por exemplo, incluindo os que fazem ataques racistas, misóginos e homofóbicos entre outros, além dos que se consideram ”zoeiros”, tem os que se denominam “nerds” ao usarem uma linguagem desbocada e irônica. O que parece incoerente, pois ”nerds” são vítimas frequentes de bullying. 

Uma visão também equivocada é a de pessoas que em grande parte são ou foram praticantes de bullying, de insistirem em propagar que esta violência traz um suposto estímulo de superação nas vítimas. Um pensamento egoísta e facilmente refutado diante do quanto o bullying foi e ainda é prejudicial para a maioria das vítimas em suas trajetórias e do quanto ainda gera mais violência e finais trágicos.

De acordo com algumas pessoas que ainda amenizam essa forma de violência, a tal da ”brincadeira” caso incomodasse muito a vítima, poderia ser ”solucionada” na saída da escola, expressão comum para se referir a resolução do problema através da violência, da pancadaria. As vezes uma ação incentivada até pelos pais das vítimas.

O problema do bullying é tão complexo, subestimado, ignorado e pouco discutido ainda que raros conseguem identificar a situação de fato. Pois até pouco tempo o bullying era considerado sobretudo “brincadeira”, ou as vezes havia quem o denominava como ‘implicância’ entre colegas.

Por conta dessas situações, esse termo e seu significado ainda permanece muito vago para o brasileiro perceber o problema claramente. Em alguns momentos o bullying também é relacionado ao assédio moral geralmente praticado em ambiente de trabalho e corporativo.

Portanto, diante de tantas tragédias vindo à tona no país precisamos com urgência refletir e conversar sobre o bullying principalmente conforme o cotidiano brasileiro, seja no ambiente escolar, familiar, social, virtual ou profissional e quem sabe assim, passando a utilizar uma palavra própria em nosso idioma e também para buscar uma solução necessária e saudável para este grave problema.

Aproveite o novo ano e mude (para melhor) a sua vida!

Faz parte da vida surgir situações desagradáveis, desanimadoras, tristes e dolorosas. Momentos muito fortes e intensos que apesar de serem naturais da vida, se você não conseguir usar a sua força de ego, certamente entrará em declínio.

Perder aquele grande amor, descobrir uma traição, sofrer uma rejeição, perceber que apesar de todos os esforços não conseguiu atingir seus objetivos no relacionamento que há tempos deixa claro que está condenado ao fracasso, ter sofrido uma grande desilusão e decepção. Dentre tantos outros, são momentos tristes e complicados.

No momento em que alguém está vivendo essas situações, é extremamente difícil analisar o que está acontecendo de uma maneira clara e objetiva e, é nesta hora que é preciso ir em busca de um auxílio que ajude a ver a situação de maneira mais ”fria”, afinal quem está dentro desses acontecimentos obviamente não consegue enxergar direito e com mais transparência.

Cada pessoa reage de uma maneira diferente a tudo, há aquelas que passam a sentir pena de si mesmas, tem as que fazem da raiva uma mola propulsora para a superação e há aquelas que se deixam levar por doenças emocionais e consequentemente acabam optando por alimentar e remoer estas dores pelo resto de suas vidas.

Estas últimas costumam resgatar constantemente situações que aconteceram há muitos anos. Fazem questão de retomar com detalhes toda a dor sentida, trazem tudo para o presente até estas emoções voltarem como se estivessem acontecendo novamente e as vezes são como verdadeiros ”troféus” que essas recordações desagradáveis são mantidas.

Esses tipos de pessoas fazem questão de permanecerem presas às suas tristezas e a episódios dolorosos de sua história. Não conseguem virar a página e fazem questão de não superar os sofrimentos de relacionamentos passados. Não procuram perceber que sofrer faz parte da vida, pode acontecer com todos e ainda esquecem o principal, que além de necessário, é possível sim superar este sofrimento.

O que torna este mecanismo humano mais complicado é que todas as situações que surgem no presente que aparentam ser semelhantes são avaliadas pelos acontecimentos já vivenciados, afinal o passado torna-se uma constante presença. Então, essas pessoas não percebem que com estas atitudes, são lançadas voluntariamente para o campo do complexo de inferioridade e também uma pena a si mesmas passa a ser cultivada.

Existem sim várias opções de saídas para estes martírios ”sem fim” e a primeira delas é começar a perceber que muitas pessoas ao seu redor e que gostam muito de você também podem estar sofrendo bastante com esta situação que você alimenta e se encontra.

Tomar iniciativa para procurar fazer um grande esforço de se libertar deste ciclo vicioso; se auto-descobrir e assim enxergar quais ideias e objetivos deseja alcançar; estabelecer novos projetos de vida para um futuro melhor e mais saudável, pois não é porque fizeram você sofrer no passado que você deve continuar a fazer isso com si; olhar o que viveu como uma experiência de vida e jamais negar para si a possibilidade de ser feliz.

Estas tarefas não são nada fáceis e são desafiadoras, mas também não são impossíveis de alcançar e caso você sentir que não consegue elaborar estes conflitos e se libertar por si só, a psicoterapia é uma excelente indicação.

Um feliz 2017 a todos/as!

Relacionamentos e conflitos

Quando um casal inicia um relacionamento há muito mais empolgação, energia, paciência e disponibilidade para procurar se conhecer, respeitar as singularidades e individualidades de cada um, enfim nesta fase de ”lua-de-mel” as diferenças são muito mais toleradas, respeitadas e aceitas com mais facilidade.

Com os passar dos anos, a rotina pode afetar essa forma tão harmoniosa de convivência. As coisas mudam com o tempo e aquela leveza como eram tratadas as diferenças individuais podem ir diminuindo gradualmente. Essas diferenças passam a ser mais evidenciadas e o que eram apenas singularidades, podem se tornar grandes ”defeitos”.

Todos os relacionamentos tem suas dinâmicas, singularidades e complexidades. Por mais que seja harmonioso, amoroso e feliz, todo relacionamento pode passar por problemas, crises, discussões e brigas ao longo do tempo.

Vários motivos podem influenciar o início de desentendimentos e brigas. Entre eles estão a falta de diálogo, a indiferença e falta de sensibilidade na aceitação dos assuntos e problemas apresentados pela outra parte e a falta de flexibilidade nos pensamentos e comportamentos de uma das partes ou do casal.

São variados os motivos que causam desentendimentos, sejam eles aparentemente insignificantes ou graves a depender do ponto de vista e da reação do outro. Se as coisas se arrastarem cada vez mais e se acumularem, muitas vezes podem trazer conflitos, mágoas e situações mal resolvidas. Com tudo isso, o relacionamento pode chegar ao fim.

Muitas vezes esses conflitos são camuflados por falta de diálogo e pouco interesse em resolve-los. Quanto mais se adia a resolução desses problemas de forma equilibrada e satisfatória para ambas as partes, a situação vai piorando. Crises sérias podem ser desencadeadas através de problemas e conflitos aparentemente pequenos se não forem resolvidos.

Com o tempo muitas pessoas costumam mudar, seja uma das partes ou o casal de forma simultânea. Por isso casal deve perceber o quanto é importante enfrentar essas mudanças e encontrar formas e alternativas de se adaptar e aprender a conviver com essas transformações de forma harmônica, se não a situação de convivência pode se tornar muito difícil.

Os desgastes e crises podem acontecer a qualquer momento e situação e é normal que venham com o tempo, o que não é saudável é que continuem e ainda que sejam persistentes pelos mesmos motivos. Por isso não se devem deixar problemas acumularem e sim enfrentá-los. O casal deve procurar pensar de forma sincera sobre o que os uniu acima de tudo e o que os levou a iniciar o relacionamento.

Portanto, o diálogo e o respeito são fundamentais para enfrentar os conflitos e encontrar soluções. É preciso procurar compreender o que está acontecendo entre o casal e provocando esta crise para que possam decidir continuar o relacionamento sem que guardem sentimentos desagradáveis implícitos que possam emergir no futuro.

Tentar evitar stress, conflitos e provocações são importantes . É preciso também procurar ter bom senso e equilíbrio no momento de falar o que pensa para não confundir opinião com insulto. Em um diálogo saudável, é preciso falar e também saber ouvir. Procurar respeitar o ponto de vista do outro e evitar se expressar de forma agressiva na qual possa se arrepender depois são caminhos para se evitar uma crise.

Por mais que  possamos ter certeza do quanto estamos certos em relação ao nosso ponto de vista, devemos procurar evitar fazer críticas a parentes e amigos da pessoa na qual se relaciona, pois isso pode magoar. Situações como essas de criticar família/amigos devem ser consideradas exceções.

Muitas vezes de boa-fé alertamos as pessoas sobre o quanto as decisões delas estão equivocadas e o quando as coisas acontecem do jeito que pensamos, por isso as vezes sentimos vontade de jogar na cara das pessoas o quanto as alertamos antes.

Se foi algo que aconteceu pela primeira vez devemos evitar lembrar alguém o quanto estava errado e esperar que façam o melhor da próxima vez. Se os mesmos erros persistirem aí então devemos voltar a alertar e podemos re-lembrar que avisamos antes.

Uma das piores causas de conflitos é quando se faz comparações, principalmente com relacionamentos anteriores. Se algo que a pessoa faz incomoda e não é considerada legal, o melhor é conversar, dizer o que pensa de forma respeitosa e com sensibilidade para evitar grandes e desnecessárias brigas que aceleram o desgaste do relacionamento e o encaminha para uma situação insuportável.

Assim sendo, é preciso haver um diálogo saudável e respeitoso e assim manter a confiança e a cumplicidade entre o casal. Isso é necessário para manter e fortalecer o vínculo e os sentimentos que uniu o casal e com isso mais cumplicidade na relação para resolver os conflitos e tornar mais sólida a identidade que o casal criou e que vai ajudar a manter a relação de forma feliz.

Muitas vezes os problemas vão surgindo e as pessoas pensam que agindo com indiferença e acreditando que fingir que esses problemas não existem vai ajudar a se livrar deles e acham que assim esses problemas vão sumir como num passe de mágica, enquanto na verdade pode alimentar um acúmulo de pequenos problemas que juntos podem a se tornar um efeito ”bola de neve”.

Por isso o melhor a fazer é tentar resolver cada conflito que for surgindo mesmo que pareça insignificante, mas ao mesmo tempo com calma e paciência. Um casal disposto em um relacionamento em que ainda há amor, sabe o quanto é importante e necessário se esforçar para recuperar a harmonia e a tranquilidade de antes.

Porém mesmo que se esforçando de todas as maneiras o casal não alcançou a solução de todos os conflitos ou que não conseguiram identificar todos eles com clareza para enfrenta-los, a melhor alternativa para chegar a uma solução é procurar uma ajuda profissional. A psicoterapia de casal certamente será um caminho interessante para que os conflitos possam ser identificados e solucionados.

 

Ansiedade nos relacionamentos

Muitas pessoas tem facilidades em conhecer muita gente atraente e  interessante, principalmente para possíveis relacionamentos afetivos, mas quando menos esperam, as coisas não saem do jeito esperado. Com a mesma facilidade que conseguem encontrar um grande círculo interessante e atraente, acabam também afastando essas pessoas.

No momento em que percebem o fracasso do (possível) relacionamento, evidentemente ficam muito tristes e confusas e sem entender o que fizeram de tão errado. Por insistência lutam inutilmente mesmo parecendo que as chances são pequenas e talvez até nulas na tentativa de dar sequência ao relacionamento que em alguns casos nem se quer tinha iniciado.

Isso ocorre com muitas pessoas e um dos motivos pode ser a ansiedade. Muitas vezes para escapar o mais rápido possível da solidão ou para viver uma linda e grande história de amor, as pessoas se deixam levar pela ansiedade e todos os sonhos depositados precocemente em um possível relacionamento pode se tornar um pesadelo.

Quando surge um primeiro encontro e logo depois a possibilidade de acontecer um novo relacionamento, muitas pessoas entram em uma ansiedade imensa que tende a devorá-las. Começa com as expectativas, ilusões e fantasias se sobrepondo ao que está acontecendo de verdade na vida real. A ansiedade pode envenenar tanto o corpo quanto a mente e isso pode prejudicar tudo.

Muitos criam tantas expectativas logo no encontro seguinte que em pouco tempo já estão planejando tantas coisas que seria preciso muito tempo para pensar e amadurecer a ideia. Por isso é preciso prestar atenção aos exageros que podem prejudicar um possível início de relacionamento que poderia dar certo.

Se a pessoa permite que a ansiedade (exagerada) tome conta de si a ponto de prejudicar o início de um novo relacionamento já é hora de procurar reconhecer e aceitar que não há como prosseguir uma relação afetiva, amorosa, feliz e saudável quando logo de inicio, é revelado total desespero.

A insegurança e o medo de que as coisas não aconteçam conforme os seus sonhos e suas expectativas, é muito comum e natural, mas chegar ao ponto de exagerar com planos e mais planos com uma pessoa que ainda nem conhece direito é o caminho certo para o fracasso e a frustração.

Os relacionamentos começam com expectativas e empolgação, mas as garantias ainda são incertas e só se tornam mais seguros e firmes depois de algum tempo. O início é sempre uma tentativa que aos poucos vai demonstrando e provando se realmente vale a pena prosseguir e também é nisso que vem os desafios para encarar o seu futuro e de não cair na rotina.

O medo de que as coisas não aconteçam como gostariam que fossem, gera uma grande ansiedade e pode levar muitas pessoas a tomar atitudes impensadas, precipitadas e não percebem que tudo isso assusta e afasta possíveis relacionamentos, sendo que o desejo  e  a intenção seria de aproximar e unir.

Então, na tentativa de minimizar as sensações e sentimentos que incomodam, as pessoas criam muitas expectativas, sonhos e ilusões cheias de imediatismos por conta própria, sem perceber que com estes mecanismos só geram mais ansiedade, insegurança e angústia. Com isso, surgem alterações de humor e comportamentos que podem se tornar instáveis.

Com a intenção de conseguir os resultados esperados há uma aceleração do pensamento e comportamento para que todos os desejos e expectativas ao possível relacionamento se realizem o mais rápido possível. Por isso, passam a idealizar o amor, a paixão, a relação e a pessoa amada como tão perfeita que na maioria das vezes acabam não correspondendo com a realidade.

Portanto, com todas essas sequências de sentimentos, pensamentos e comportamentos decorrentes da ansiedade, é previsível que acabe prejudicando o início de um possível relacionamento que mal teve chances de acontecer, de se tornar uma realidade e a ponto também de tornar-se firme, agradável e satisfatório.

Após todos esses acontecimentos negativos, as expectativas e sonhos se transformam em arrependimentos, frustrações, vazios, impotência e tristezas… Pensamentos de que tudo poderia ter sido diferente caso tivesse agido de outra forma. E com isso vem também a clássica pergunta: “Onde foi que eu errei?”.

Por esses motivos é necessário tentar se esforçar para controlar essa ansiedade que tanto prejudica, concentrando-se no presente, no momento em vez do amanhã. Dessa forma é possível evitar a repetição de todos esses dilemas que só geram sofrimento, discussões desagradáveis e tensão.

É preciso também prestar atenção em quais os detalhes e acontecimentos negativos mais frequentes em suas relações, pois são muito importantes para avalia-las. Se também tem criado qualidades inexistentes e fantasiosas nas pessoas que acabaram de conhecer e que ainda nem sabem direito quem é, se essas pessoas ainda estão com sentimentos mal resolvidos, se buscam ou não o mesmo tipo de relacionamento e intensidade.

Todas essas possibilidades podem acontecer e podem até mesmo estarem evidentes, mas que as vezes se tornam invisíveis porque a ansiedade é tão intensa que pode mascarar algo que está mais que claro, e que só se percebe depois que tudo já passou e deu errado. Por isso, é importante e necessário procurar recuperar o equilíbrio emocional para que a ansiedade não possa mais prejudicar possíveis relacionamentos.

Para quem costuma se deixar levar pela ansiedade, todo esse exercício é uma tarefa muito difícil. Mas a inciativa em tomar uma posição é muito importante para que as situações e acontecimentos não sejam sempre frustrantes, negativos e infelizes. Por isso, nada deve ser forçado e acelerado.

Então, é preciso deixar que as coisas aconteçam naturalmente, ”dar tempo ao tempo”, procurar conhecer melhor a pessoa antes para depois decidir se vale mesmo a pena investir em um relacionamento, e mesmo que isso pareça um velho clichê o melhor mesmo a fazer é ”deixar rolar”.

Muitas pessoas conseguem pelo menos atenuar a ansiedade praticando variados hobbies e alguns tipos de meditação que mais lhe agradam e se identificam. Porém, se as coisas não se resolverem de forma interna, é preciso procurar ajuda externa (amigos, psicoterapia) para que possa restabelecer o equilíbrio mental e emocional.

O sectarismo não tem uma face

Existe um estereotipo de que uma pessoa pode ser considerada antissocial (termo muitas vezes usado de uma forma própria no senso comum) e em alguns casos tem quem acredite  que uma pessoa pode ser até mesmo ”perigosa” apenas por não ser enturmada, falante e por aparentar ser séria. Claro que existem sim psicopatias que surgem de pessoas assim silenciosas e fechadas.

Mas também podem haver, e não são poucos os casos, as psicopatias que se originam de pessoas que são sempre consideradas muito animadas, de bem com a vida, descontraídas e muito falantes. Gente que costuma adorar contar piadas e que parecem muito alegres, simpáticas e divertidas.

E é nesse ponto que existe uma relação que pode ser encontrada em alguns casos de bullying e cyberbullying.

Algumas dessas pessoas ditas muito extrovertidas e populares podem sim ter uma tendência antissocial. E quando estão mal intencionadas usam toda a sua popularidade e carisma para atrair e convencer pessoas para participar de atividades e situações nada saudáveis.

Tem muita gente legal, boa, simpática que na boa-fé, embarca no cyber/bullying deste amigo mais “zoeiro” por achar que ele está fazendo apenas uma simples “brincadeira sadia e divertida”. Esse tipo de ”zoeiro” que de tanto dizer que odeia o ”politicamente correto tão chato dos dias de hoje” consegue arrastar um grande número de pessoas em suas investidas de assédio moral.

E nessas supostas ”brincadeiras inocentes” pode envolver ataques misóginos, homofóbicos, racistas, xenofóbicos e apologia a diversos tipos e níveis de violência. Sendo que há casos em que a violência física se torna um fato.

Nessa carona com o amigo carismático, ”zoeiro” e curtidor em seu ritual de linchamento moral, essa gente boa e legal as vezes acaba conseguindo até mesmo uma ficha criminal e não sabe o motivo porque acreditava que todo o ataque direcionado a alguém era apenas uma ”zoação” e que tudo hoje é preconceito.

Espera-se que os cyber/bullies sejam pessoas tímidas, isoladas, caladas e muito sérias. Nem sempre. Eles também podem estar por trás de gente muito influente, admirada, carismática, sociável, animada, curtidora, farrista, divertida, enturmada e supostamente amigável.

Muitos dessa turma considerada ”legal, curtidora e sociável” também podem ser preconceituosos e acreditarem que determinados tipos de pessoas devem apenas permanecerem em seus devidos ”lugares” e/ou então se incomodam muito com várias características que fogem do perfil de como as pessoas ”perfeitas” ou aceitáveis deveriam ser.

Então, se aproveitando de tanto carisma e popularidade essas pessoas atraem e arrastam um grande número de gente considerada de bem para realizarem assédios, ataques e linchamentos morais dos mais pesados, diversos e variáveis direcionados as vítimas.

E para a surpresa de muita gente vários desses bullies são gente considerada “divertida” e “animada” tanto nas redes sociais quanto em sua vida pessoal e social. Por isso mesmo é garantido o sucesso de atos tão mesquinhos, tão covardes, tão humilhantes, tão agressivos, tão preconceituosos e tão perversos.

É neste momento quando cai a máscara do “irreverente curtidor zoeiro” e de seus colegas  tão igualmente ”alegres e divertidos”. Demonstrando todos esses preconceitos de vários tipos, falta de respeito, intolerância, discriminação, ataques e agressões dos mais diversos segmentos.

Por isso é preciso também ser muito precavido e ser mais atento com pessoas que se utilizam de algum tipo de prestígio e poder para promover o ódio e a discriminação, mesmo que esse poder seja apenas através de alguma ”turma”. Pois esse poder envolve também privilégios sociais e que podem ser utilizados para cometer assédios do mais diversos estilos, intensidades e gravidades.

São por esses inúmeros motivos que muitas vezes devemos tomar cuidado em perceber se aqueles que são justamente os considerados os extrovertidos demais e muito carismáticos agem de uma forma honesta e ética. Por serem exatamente os mais queridinhos e por terem um ”harém” de admiradores para protege-los, são os que estarão acima de qualquer suspeita.